Eu não estou brava. Só não entendo - murmurei, mas não consegui olhá-lo nos olhos, e, como ele não disse nada, continuei. - Não entendo como eu consegui estragar tudo o que era perfeito, ou por que tudo o que eu construí desabou, ou por que você prometeu que me amaria, que tudo seria pra sempre, que isso nunca iria se esvair, mas não conseguiu manter a promessa...
Minha voz falhou, enquanto um nó se formava em minha garganta. Eu nunca fui de desabafar para ninguém, a não ser ele. E agora, que ele era o motivo do meu desabafo ? A quem eu iria correr? Suspirei, olhando para o alto. Eu estava perdida. Não só por causa do fim de tudo, mas porque eu saberia que as coisas nunca voltariam ao que era antes. Eu não me reconhecia mais quando me olhava no espelho. O que estava acontecendo ? Minha cabeça estava girando. Me deitei sobre a grama. Eu queria estar em frente ao mar. Mas, ao mesmo tempo, isso me depreciava, porque cada gota de água salgada parecia ser formada por fragmentos de uma tristeza interminável. O vento já não me acariciava, mas aumentava meu desespero. O que eu deveria, então, fazer agora ? Olhei para o céu pedindo ajuda mentalmente, mas não resisti ao impulso de quase gritar.

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